Eu, ansiosa
Minha viagem
de férias foi incrível. Fui para a Argentina e para o Uruguai e cumpri a promessa que fiz para
mim mesma de viajar para fora do país até os 25 anos. No entanto, o que
poucos sabem, é que este sonho só foi realizado graças a um impulso
incontrolável que sinto de resolver coisas aqui e agora - sem sequer pensar em datas ou consequências, comprei uma passagem e tive de me virar com a sua enorme quantidade de dias. Parece que eu
tenho um poder de decisão muito grande, mas é exatamente o contrário. Eu
sou uma exímia ansiosa.
São
coisas que parecem idiotas, mas é como se eu não conseguisse nem ao
menos escrever este texto até o final, com medo de ficar muito ruim ou
ser mal interpretada. Sofro por antecipação na maioria das vezes, acho
que alguma coisa errada aconteceu quando não recebo uma resposta
imediata das pessoas mais próximas e martelo assuntos sem sentido na
minha cabeça em quase 90% das vezes.
Embora
queira decidir as coisas rápido, não sei fazer isso de forma correta.
Ou pior: não sei decidir. Ou pior ainda: decido e estrago muita coisa no
meu caminho dali em diante. E quando eu pilho muito, já me conheço:
hiperventilo por dias, meu corpo dorme e não consigo responder por mim
mesma a respeito de algumas atitudes.
Queria
que as coisas não fossem assim? É claro que eu queria. Queria não ter
ligado trinta vezes para uma mesma pessoa quando estou esperando por uma
resposta? Queria também. Queria não ser a pessoa que morre de raiva de
não ter um final de semana planejado na quarta-feira? Totalmente.
Quase
sempre fui a primeira a chegar em festas e muitas vezes sou acusada de
querer tomar as rédeas da decisão. Outras, por ser indecisa demais. Há
coisas que eu realmente não sei. Vez ou outra, me vejo em um redemoinho
tão grande que, então, minha única vontade é deitar, na esperança de que
esse sufoco seja sublimado.
Queria
não balançar as minhas pernas involuntariamente, queria comer menos
chocolate, queria ter paciência para acompanhar uma vídeo aula e tocar
violão perfeitamente, queria não me distrair com algum post do BuzzFeed
quando preciso resolver algo importante, queria ser mais maleável quando
cobro do meu namorado essa necessidade do urgente. Mas é tão difícil, é
tão complicado que, muitas vezes, eu simplesmente não sei.
Eu
já fui pior. Já pirei ao descobrir que o meu futuro não seria como eu
sonhava (e que isso era uma realidade totalmente condizente). E que eu
precisaria ser maleável às mudanças, adaptar meus sonhos e procurar
respostas em outros caminhos.
É um longo aprendizado.
Mas saber que eu não estou sozinha já alivia um pouco desse peso nos ombros.










0 comentários: